quarta-feira, 9 de março de 2016

O Pai Nosso

Na Luz da Verdade

Español
Український
Česky

  O Pai Nosso

São apenas poucas as pessoas que procuram conscientizar-se do que realmente querem, quando proferem a oração “Pai – Nosso”. Menos ainda, as que sabem realmente qual o sentido das frases que aí estão recitando. Recitar é decerto a única expressão adequada para o procedimento que o ser humano, neste caso, chama de orar.
Quem se examinar rigorosamente a tal respeito tem de admitir isso, ou então testemunhará que passa toda a sua vida de idêntica maneira... superficial, não sendo, nem jamais tendo sido capaz de um pensamento profundo. Existem muitos desses nesta Terra que, sem dúvida, levam-se a sério, mas, pelos outros, mesmo com a melhor boa vontade, não podem ser levados a sério.
Exatamente o começo desta oração desde sempre é intuído erroneamente, conquanto de modos diversos. As pessoas que procuram proferir com seriedade esta oração, isto é, que nela se empenham com uma certa boa vontade, sentem surgir em si, logo após ou durante as primeiras palavras, um certo sentimento de segurança, de tranqüilidade anímica! E este sentimento permanece predominante nelas até alguns segundos depois de orar.
Isso explica duas coisas: primeiro, que quem reza só pode manter sua seriedade durante as primeiras palavras, através das quais se desencadeia tal sentimento, e, segundo, que justamente o desencadeamento desse sentimento prova quão longe se acha de entender o que com isso profere!
Mostra com isso, nitidamente, sua incapacidade de manter a profundidade do pensar, ou também sua superficialidade; porque, do contrário, com as palavras que se seguem, imediatamente devia surgir um outro sentimento, correspondente ao conteúdo alterado das palavras, tão logo nele elas se tornem realmente vivas.
Portanto, permanece nele apenas o que as primeiras palavras despertam. Entendesse ele, porém, o sentido correto e o significado verdadeiro das palavras, estas teriam de despertar-lhe uma intuição muito diferente do que um agradável sentimento de acolhimento.
Pessoas mais presunçosas vêem por sua vez na palavra “Pai” a confirmação de descenderem diretamente de Deus, e assim, num desenvolvimento correto, tornarem-se, por fim, até mesmo divinas, já trazendo, porém, sem dúvida, algo divino dentro de si. E assim existem ainda muitos outros erros entre os seres humanos quanto a esta frase. A maioria, contudo, considera-a simplesmente como a invocação na oração, o apelo! Aí necessitam pensar o mínimo possível. E correspondentemente é recitada sem reflexão, quando exatamente na invocação a Deus devia residir todo o fervor de que uma alma humana, enfim, pode tornar-se capaz.
Mas tudo isso esta primeira frase não deve dizer nem ser, contudo, o Filho de Deus inseriu na escolha das palavras simultaneamente a explicação ou a indicação de que maneira uma alma humana deve encaminhar-se para a oração, de que modo pode e deve apresentar-se perante seu Deus, se sua oração deve ser atendida. Diz exatamente qual a disposição que ela deve possuir em tal momento, como tem de ser seu estado de pura intuição, quando quiser depor seu pedido nos degraus do trono de Deus.
Assim, a oração toda se divide em três partes. A primeira parte é a entrega total, a rendição da alma perante seu Deus. Falando figuradamente, ela se abre de todo diante Dele, antes de aproximar-se com uma súplica, dando previamente testemunho de sua própria força de vontade pura. O Filho de Deus quer com isso deixar claro qual deve ser o intuir que unicamente pode formar a base para uma aproximação de Deus! Por isso apresenta-se como um grande sacrossanto juramento, quando no início se encontram as palavras: “Pai nosso, que estás no céu!” Considerai que oração não tem a mesma significação que pedido! Do contrário, não haveria orações de agradecimento que não contivessem nenhum pedido. Orar não é pedir. Já nisso o “Pai Nosso” tem sempre sido incompreendido até agora, por causa do mau hábito do ser humano de nunca se dirigir a Deus, se ao mesmo tempo não espera ou até exige algo Dele; pois no esperar já se encontra o exigir. E aí a criatura humana realmente sempre espera algo, isto ela não pode negar! Mesmo que, falando em traços gerais, exista nela apenas o sentimento nebuloso de receber um dia um lugar no céu. O ser humano não conhece a jubilosa gratidão no alegre usufruir de sua existência consciente a ele concedida, expressa na cooperação desejada por Deus ou por Deus com razão esperada na grande Criação para o bem de seu ambiente! Tampouco pressente que é justamente isso, e somente isso, que abrange seu próprio e verdadeiro bem-estar, seu progresso e sua ascensão.
Sobre tal base desejada por Deus, porém, encontra-se em verdade a oração “Pai Nosso”! De outra forma o Filho de Deus nem poderia tê-la dado, pois apenas desejava o bem dos seres humanos, que reside somente na correta observação e cumprimento da vontade de Deus!
A oração dada por ele é, portanto, tudo, menos uma oração de súplica, mas sim um grande juramento do ser humano abrangendo tudo, o qual, nisso, prostra-se aos pés de seu Deus! Deu-a Jesus aos seus discípulos, que estavam dispostos naquele tempo a viver em pura adoração a Deus, a servir a Deus com seu viver na Criação e com esse servir honrar Sua sacrossanta vontade!
A criatura humana deveria refletir bem e profundamente se pode atrever-se, enfim, a utilizar essa oração e a pronunciá-la, deveria examinar-se seriamente se, na utilização, não procura por acaso mentir a Deus!
As frases introdutórias advertem com clareza suficiente que cada um deve se examinar, se também realmente é assim como nelas se apresenta! Se com isso ousa aproximar-se sem falsidade do trono de Deus!
Se, contudo, vivenciardes em vós as três primeiras frases da oração, então elas vos conduzirão aos degraus do trono de Deus. Elas são o caminho para isso, quando numa alma chegarem ao vivenciar! Nenhum outro leva até lá. Mas este, seguramente! Não vivenciando essas frases, porém, nenhum dos vossos pedidos poderá chegar até lá.
Deve ser uma invocação submissa e, contudo, jubilosa, quando ousais proferir: “Pai nosso, que estás no céu!”
Nesta exclamação repousa a vossa sincera afirmação: “A ti, ó Deus, dou todos os direitos de Pai sobre mim, aos quais quero submeter-me com obediência infantil! E reconheço com isso também Tua onisciência, Deus, em tudo o que Tua determinação trouxer, e peço que disponhas de mim como um pai tem de dispor dos seus filhos! Aqui estou, Senhor, para Te ouvir e Te obedecer infantilmente!”
A segunda frase: “Santificado seja o Teu nome!” Esta é a afirmação da alma em adoração, de como nela é sincero tudo aquilo que ousa dizer a Deus. Que está presente com plena intuição em cada palavra e pensamento, não abusando com superficialidade do nome de Deus! Pois o nome de Deus lhe é sobremaneira sagrado! Considerai, vós que orais, o que com isto prometeis! Se quiserdes ser inteiramente sinceros convosco, tendes de reconhecer que vós, seres humanos, até agora, justamente com isto, tendes mentido diante do semblante de Deus; porque nunca fostes tão sinceros na oração conforme o Filho de Deus, pressupondo, estabeleceu nestas palavras como condição!
A terceira frase: “Venha a nós o Teu reino!” novamente não é nenhum pedido, mas apenas mais uma promessa! É um prontificar-se de que através da alma humana tudo deve tornar-se aqui na Terra tal como é no Reino de Deus! Por isso a expressão: “Venha a nós o Teu reino!” Isto quer dizer: Nós seres humanos queremos fazer de tudo aqui na Terra para que o Teu reino perfeito possa estender-se até aqui! O solo deve ser preparado por nós de modo que tudo viva apenas segundo a Tua santa vontade, isto é, cumprindo plenamente as Tuas leis da Criação, de maneira a tudo se realizar tal qual é em Teu reino, o reino espiritual onde se encontram os espíritos amadurecidos e livres de todas as culpas e cargas, que apenas vivem servindo à vontade de Deus, porque somente no cumprimento incondicional desta surge algo de bom, pela perfeição nela latente. É, portanto, a afirmação de querer tornar-se assim, para que também a Terra, mediante a alma humana, venha a ser um reino do cumprimento da vontade de Deus!
Tal afirmação fica ainda reforçada pela frase seguinte: “Seja feita a Tua vontade, como no céu, assim também na Terra!” Essa não é apenas a declaração da boa vontade de enquadrar-se inteiramente na vontade divina, mas incluída nela também a promessa de interessar-se por essa vontade, de esforçar-se com toda a diligência, após o reconhecimento dessa vontade. Tal esforço tem de preceder, sim, a uma adaptação a essa vontade; pois enquanto a criatura humana não a conhecer direito, não estará apta a orientar-se por ela com seu intuir, seu pensar, falar e agir! Que enorme e condenável leviandade é, pois, para cada ser humano fazer essas promessas sempre e sempre de novo ao seu Deus, quando na realidade nem se importa de como seja a vontade de Deus, que se acha firmemente ancorada na Criação. O ser humano mente, sim, em cada palavra da oração, quando ousa proferi-la! Com isso, encontra-se como um hipócrita diante de Deus! Acumula sempre novas culpas por cima das antigas, sentindo-se por fim digno de lástima, quando ele, no corpo de matéria fina, tiver de sucumbir no Além sob este fardo. Para reconhecer corretamente a vontade de Deus, foi lhe dada oportunidade agora já por três vezes! Uma vez através de Moisés, que foi para isso inspirado. *(Iluminado) A segunda vez pelo próprio Filho de Deus Jesus, que trouxe a Verdade dentro de si, e agora, a terceira e, com isso, a última vez, na Mensagem do Graal que, por sua vez, foi haurida diretamente da Verdade. —
Somente quando estas frases tiverem sido cumpridas realmente por uma alma, como condição preliminar, é que ela poderá prosseguir: “O pão nosso de cada dia nos dá hoje!” Isso equivale a dizer: “Se eu tiver cumprido aquilo que afirmei ser, deixa então que a Tua bênção paire sobre a minha atuação terrena, a fim de que eu, nas atividades para a obtenção de minhas necessidades grosso-materiais, disponha sempre de tempo para poder viver segundo a Tua vontade!”
E perdoa-nos nossa dívida, assim como nós perdoamos aos nossos devedores!” Nisso jaz o saber a respeito do incorrupto, justo efeito retroativo das leis espirituais, que transmitem a vontade de Deus. Simultaneamente também a expressão da confirmação na plena confiança nisso; pois o pedido de perdão, isto é, de remição da culpa, baseia-se condicionalmente no cumprimento anterior, pela alma humana, do próprio perdoar de todas as injustiças que os semelhantes lhe fizeram. Quem, porém, é capaz disso, quem já houver perdoado tudo ao seu próximo, este também está de tal forma purificado interiormente que ele próprio, intencionalmente, nunca comete injustiça! Com isso, todavia, também estará livre perante Deus de todas as culpas, uma vez que lá só é considerado como injustiça o que tiver sido feito intencionalmente de má fé. Só assim é que vem a ser uma injustiça. Há nisso uma grande diferença com relação a todas as leis humanas e conceitos terrenos atualmente existentes.
Assim, pois, também nessa frase, como base, encontra-se novamente uma promessa perante seu Deus de cada alma que almeja a Luz, declaração de sua verdadeira vontade, para cuja realização espera, através do aprofundamento e compreensão de si mesma, receber força na oração, a qual, na sintonização correta, também receberá segundo a lei da reciprocidade.
E não nos deixes cair em tentação!” É um conceito errado, quando a criatura humana quer ler nestas palavras que seria tentada por Deus. Deus não tenta ninguém! Trata-se neste caso apenas de uma transmissão incerta que escolheu inabilmente o termo tentação. Seu sentido correto deve ser classificado em conceitos como errar, perder-se, isto é, andar errado, procurar erradamente no caminho ao encontro da Luz. Equivale a dizer: “Não nos deixes tomar caminhos errados, procurar erradamente, não nos deixes fazer mau uso do tempo! Desperdiçá-lo, malbaratá-lo! Mas retém-nos à força, se necessário for, inclusive se tal necessidade tenha de atingir-nos como sofrimento e dor.” Este sentido o ser humano também tem de deduzir da sentença seguinte, e de acordo com o teor diretamente ligado a ela: “Mas livra-nos do mal!” Este “mas” mostra bem nitidamente a unidade das frases. O sentido equivale a: Faze-nos reconhecer o mal, seja qual for o preço que isso venha a nos custar, mesmo com o preço do sofrimento. Capacita-nos para tanto por intermédio de Teus efeitos recíprocos em cada uma de nossas faltas. No reconhecer encontra-se também a remição para aqueles que tenham boa vontade para isso!
Com isso termina a segunda parte, o colóquio com Deus. A terceira parte constitui o remate: “Pois Teu é o reino, a força e a magnificência por toda a eternidade! Amém!”
É uma confissão jubilosa do sentimento de ser acolhido na onipotência de Deus através do cumprimento de tudo aquilo que a alma na oração deposita-Lhe aos pés como juramento! —
Esta oração dada pelo Filho de Deus possui, por conseguinte, duas partes. A introdução da aproximação e o colóquio. Por último, adveio por Lutero a confissão jubilosa do saber do auxílio para tudo aquilo que o colóquio encerra, do recebimento da força para o cumprimento daquilo que a alma prometeu ao seu Deus. E o cumprimento terá de levar a alma ao Reino de Deus, ao país da alegria eterna e da Luz! Assim o Pai Nosso, quando realmente vivenciado, torna-se o apoio e o bastão para a escalada ao reino espiritual!
O ser humano não deve esquecer-se de que numa oração ele tem de buscar, na realidade, somente a força, para poder ele próprio realizar o que pede! Assim deve orar! E assim também é constituída a oração que o Filho de Deus deu aos discípulos!

Mensagem do Graal de Abdrushin
Fonte: Na Luz da Verdade V. 2

segunda-feira, 7 de março de 2016

Infantilidade




Infantilidade

A palavra “infantil” é uma expressão, que pelos seres humanos, em seu modo leviano e impensado de falar, na maioria dos casos é empregada erroneamente.
Impedida pela preguiça espiritual, a expressão não é suficientemente intuída, para também poder ser compreendida direito. Quem, porém, não a houver compreendido em toda a sua extensão, jamais poderá empregá-la acertadamente.
E, no entanto, é exatamente a infantilidade que oferece aos seres humanos uma forte ponte para a escalada às alturas luminosas, para a possibilidade de amadurecimento de cada espírito humano e para o aperfeiçoamento em prol duma eterna existência nesta Criação, que é a casa de Deus-Pai, que Ele põe à disposição dos seres humanos, se... ali permanecerem como hóspedes agradáveis. Hóspedes, que não causam danos aos recintos, que, cheio de graça, lhes foram concedidos apenas para usufruto, com mesa sempre fartamente posta.
Quão distanciado, porém, se encontra agora o ser humano dessa infantilidade para ele tão necessária!
Contudo, sem ela nada poderá obter para o seu espírito. O espírito tem de possuir infantilidade, pois é e permanece uma criança da Criação, mesmo quando adquiriu para si total maturidade.
Uma criança da Criação! Nisso jaz o sentido profundo; pois tem de se desenvolver de maneira a se tornar uma criança de Deus. Quanto a ele alcançar isso, só depende do grau de reconhecimento que ele está disposto a adquirir em sua peregrinação através de todas as matérias.
Conjuntamente com esse estar disposto tem de mostrar também a ação. Nos planos espirituais, a vontade é ao mesmo tempo também ação. Vontade e ação sempre são acolá uma única coisa. Contudo, isto só é assim nos planos espirituais e não nas materialidades. Quanto mais denso e mais pesado for um plano da matéria, tanto mais longe a ação fica da vontade.
Que a densidade age estorvando, já se percebe no som que na movimentação tem de se esforçar a passar através da matéria, que o retarda conforme a espécie da densidade. Isto é perceptível nitidamente, já a distâncias mais curtas.
Quando uma pessoa corta lenha, ou também prega vigas em qualquer construção, pode-se ver nitidamente o golpe da sua ferramenta, ao passo que o som dele só chega após alguns segundos. Isso é tão notório que provavelmente não há pessoa que já não tenha assistido a isso aqui e acolá.
De modo análogo, mas ainda mais difícil, ocorre com o ser humano na Terra com relação à vontade e à ação. A vontade irrompe no espírito, ela, no espírito, se torna imediatamente ação. Todavia, para tornar a vontade visível na matéria, ele precisa ainda do corpo de matéria grosseira. Somente no impulso age cada corpo já alguns segundos depois do irromper da vontade. Com isso, fica excluído o trabalho mais demorado de um cérebro anterior, o qual normalmente tem de intermediar o caminho da vontade até a impressão sobre a atividade do corpo.
O caminho real dura um tempo relativamente mais longo. Às vezes vem a ser apenas uma manifestação fraca, ou nem chega a se tornar ação, porque a vontade acaba por se enfraquecer durante o trajeto mais longo, ou então, por causa do intelecto cismador, fica completamente bloqueada.
Com relação a essa consideração, quero dar uma indicação, independente desse assunto, sobre efeitos despercebidos e, contudo, nitidamente visíveis na atuação humana, da lei da Criação da atração de espécies iguais:
As leis humano-terrestres são elaboradas pelo intelecto terreno e são também executadas por ele. Por isso, os planos ponderados com o intelecto, isto é, atos premeditados, são, como tais, castigados mais severamente e julgados mais gravemente do que os atos irrefletidos, isto é, não premeditados. A estes últimos, na maioria dos casos, é concedido julgamento mais brando.
Isto tem na realidade, imperceptível aos seres humanos, uma conexão na igual espécie da atuação do intelecto sob a pressão da lei da Criação para todos aqueles, que se curvam incondicionalmente ao intelecto. A estes, isso é inteiramente compreensível.
Sem saber disso, num ato irrefletido, a maior parte do remate da culpa é, com isso, transferida para o plano espiritual. Legisladores e juízes nada disso pressentem, pois partem de princípios muito diversos, puramente racionais. Todavia, numa reflexão mais profunda e no conhecimento das leis atuantes da Criação, tudo se encontra sob uma luz bem diversa.
Apesar disso, também em outros julgamentos e sentenças terrenos, as leis vivas de Deus na Criação atuam totalmente autônomas por si, sem ser influenciadas pelas leis nem pelos conceitos humano-terrestres. Provavelmente a nenhum ser humano ocorrerá que verdadeira culpa, não por acaso apenas uma rotulada como tal pelas criaturas humanas, depois de cumprido o castigo ditado e imposto pelo intelecto terreno, pudesse estar liquidada também simultaneamente perante as leis de Deus!
Já desde milênios são praticamente dois mundos distintos, separados pelo modo de pensar e de agir das criaturas humanas, conquanto devessem ser somente um mundo, onde unicamente atuassem as leis de Deus.
Mediante um tal castigo terrestre só pode resultar um resgate, enquanto as leis e as penalidades concordarem totalmente com as leis da Criação de Deus. Existem, porém, dois tipos de atos irrefletidos. Primeiro, os já descritos, que na verdade deveriam chamar-se impulsos e, além disso, aqueles que irrompem no cérebro anterior, isto é, não no espírito, e que pertencem ao setor do intelecto. Eles são irrefletidos e não deveriam ter as mesmas atenuações como as ações de impulso.
Todavia, descobrir nisso de forma exata a diferença justa, só será possível àquelas pessoas, que conhecem todas as leis de Deus na Criação e que estão a par de seus efeitos. Isto deve ficar reservado a um tempo vindouro, no qual também entre os seres humanos não haja mais ações arbitrárias, porque estes terão uma maturidade espiritual, que os deixará vibrar somente nas leis de Deus em todo o seu agir e pensar.
A digressão tem apenas o fim de estimular a reflexão, não pertencia ao tema específico desta dissertação.
Basta que fique acentuado aqui que vontade e ação são uma única coisa nos planos espirituais, mas que são separadas nos planos materiais devido à espécie da matéria. Por isso Jesus outrora já disse aos seres humanos: O espírito está disposto, mas a carne é fraca! A carne, aqui significando a matéria grosseira do corpo, não transforma tudo aquilo em ação, que no espírito já era vontade e ação.
Contudo, o espírito poderia também aqui na Terra, em sua roupa de matéria grosseira, forçar para que a sua vontade sempre se torne ação grosso material, se não fosse demasiado indolente para isso. Ele não pode responsabilizar o corpo por essa indolência, porque o corpo foi dado a cada espírito apenas como instrumento, que ele deve aprender a dominar, para dele utilizar-se com acerto.
O espírito, portanto, é uma criança da Criação. E tem de ser infantil nela, se quiser cumprir a finalidade para a qual se encontra na Criação. A presunção do intelecto deixou-o afastar-se da infantilidade, porque não soube “compreendê-la” como aquilo que realmente é. Com isso, porém, ele perdeu o apoio na Criação, que agora tem de expulsá-lo como estranho, como perturbador e nocivo, para ela própria poder permanecer sadia.
E assim acontecerá que os seres humanos venham a cavar sua própria sepultura, devido ao seu modo errôneo de pensar e de agir.
Eu já falei disso na festa do Natal, como é estranho que cada ser humano, que deseja que a festa de Natal atue uma vez de maneira realmente certa sobre ele, tem de procurar primeiro se transportar para a infância!
Isto deve ser visto, pois, como um sinal suficientemente nítido de que ele, como adulto, nem é capaz de vivenciar a festa de Natal com a intuição. É a prova bem nítida de que perdeu alguma coisa, que possuía quando criança! Por que isso não dá o que pensar aos seres humanos!
Trata-se novamente de indolência espiritual, que os impede de se ocuparem seriamente com as coisas. “Isso é para crianças”, pensam eles, e os adultos não têm tempo para isso! Eles têm de meditar sobre coisas mais sérias.
Coisas mais sérias! Com essas coisas mais sérias referem-se somente à caça às coisas da Terra, isto é, trabalho do intelecto! O intelecto rechaça depressa as recordações para longe, a fim de não perder a primazia, quando uma vez é dado lugar à intuição!
Em todos esses fatos aparentemente tão pequenos poderiam ser reconhecidas as maiores coisas, se o intelecto somente desse tempo para isso. Mas ele tem o predomínio e luta por isso com toda a astúcia e malícia. Isto é, não ele, mas na realidade luta aquilo, que se utiliza dele como instrumento e que se esconde atrás dele: as trevas!
Não querem deixar encontrar a Luz nas recordações. E como o espírito anseia encontrar a Luz e dela haurir nova força, reconhecereis pelo fato de que com as recordações do Natal da criança desperta também uma indeterminada e quase dolorosa saudade, que é capaz de enternecer passageiramente muitas pessoas.
Esse enternecimento poderia tornar-se o melhor solo para o despertar, se fosse utilizado logo e também com toda a força! Mas infelizmente os adultos perdem-se somente ainda em devaneios, com o que desperdiçam e perdem a força que surge. E nesses devaneios se passa também a oportunidade, sem poder trazer proveito ou sem ter sido utilizada.
Mesmo quando algumas pessoas deixam cair algumas lágrimas com isso, envergonham-se delas, procuram escondê-las, recompõem-se com um impulso físico, no qual mui frequentemente se torna reconhecível uma inconsciente teimosia.
Quantas coisas os seres humanos poderiam aprender com tudo isso. Não é em vão que nas recordações da infância se insere uma leve melancolia. Trata-se do sentimento inconsciente de ter perdido algo, que deixou um vazio, a incapacidade de ainda intuir infantilmente.
Mas decerto tendes notado muitas vezes o efeito maravilhoso e revigorante de uma pessoa, apenas com sua presença silenciosa, de cujos olhos irrompe de vez em quando um brilho infantil.
O adulto não deve esquecer que o infantil não é pueril. Ignorais, porém, por que o infantil pode atuar assim, o que ele é na realidade! E por que Jesus disse: Tornai-vos como as crianças!
Para descobrir o que é infantil, deveis primeiramente ficar cientes de que o infantil absolutamente não está ligado à criança em si. Com certeza vós próprios conheceis crianças, às quais falta a verdadeira e bela infantilidade! Existem, portanto, crianças sem infantilidade! Uma criança maldosa nunca se comportará infantilmente, tampouco uma criança mal educada, na realidade, não educada!
Disso resulta claramente que infantilidade e criança são duas coisas por si independentes.
Aquilo, que na Terra se chama infantil é um ramo da atuação da pureza! Pureza no sentido mais elevado e não apenas no sentido humano-terrenal. O ser humano, que vive na irradiação da pureza divina, que concede lugar para a irradiação da pureza dentro de si, adquiriu com isso também o infantil, seja ainda na idade da infância ou já como adulto.
A infantilidade é resultado da pureza interior, ou o sinal de que tal ser humano se entregou à pureza, a serve. Estas são apenas maneiras diferentes de expressão, na realidade, porém, sempre a mesma coisa.
Por conseguinte, somente uma criança em si pura pode comportar-se infantilmente, assim como um adulto, que cultive a pureza dentro de si. Por isso ele exerce um efeito revigorante e vivificador, desperta também confiança!
E onde existir a verdadeira pureza, poderá surgir também o verdadeiro amor; pois o amor de Deus atua na irradiação da pureza. A irradiação da pureza é o seu caminho, por onde ele segue. Não seria capaz de seguir por outro.
Quem não tiver absorvido, dentro de si, a irradiação da pureza, a esse nunca poderá chegar a irradiação do amor de Deus!
O ser humano, porém, privou-se da infantilidade com o seu afastamento da Luz, por causa do seu pensar intelectivo e unilateral, ao qual sacrificou tudo o que podia soerguê-lo, e assim se forja com mil correntes firmemente à Terra, isto é, à matéria grosseira, que o retém sob seu jugo, até que ele mesmo possa libertar-se disso, o que no entanto não pode conseguir com a morte terrena, e sim somente no despertar espiritual.

* * *
Fonte:   Livro Na Luz da Verdade - Abdruschin

Dissertação publicada na revista Die Stimme (A Voz); Caderno 4; 1937.
Postado há 9th November 2012 por Rubens de Oliveira Santos

quinta-feira, 3 de março de 2016

O primeiro passo



O primeiro passo

Deixai minha Palavra tornar-se viva em vós; pois unicamente isto pode vos trazer aquele proveito, de que precisais, para deixar vosso espírito elevar-se às alturas luminosas dos eternos jardins de Deus.
De nada adianta saber da Palavra! E se soubésseis recitar de cor a minha Mensagem inteira, frase por frase, a fim de instruirdes a vós próprios e aos vossos semelhantes... de nada serve, se não agirdes de acordo, se não refletirdes no sentido da minha Palavra, e se não adaptardes toda a vossa existência terrena de acordo, como algo natural, que se impregnou em vossa carne e em vosso sangue, que não se deixa separar de vós. Somente então podereis haurir de minha Mensagem os valores eternos, que ela contém para vós.
Por suas obras deveis reconhecê-los! Estas palavras de Cristo destinam-se em primeira linha a todos os leitores da minha Mensagem! Por suas obras, quer dizer, por sua atuação, portanto, por seu pensar, seu atuar no cotidiano da existência terrena! O atuar compreende também a vossa fala, não apenas o vosso agir; pois o falar é uma ação, que até agora tendes subestimado no seu efeito. Até mesmo os pensamentos já pertencem a isso.
Os seres humanos estão acostumados a dizer que os pensamentos “não pagam taxas”. Com isso querem insinuar que sobre pensamentos não podem ser chamados a prestar contas terrenamente, porque estes se acham num degrau que é inatingível para mãos humanas.
Por isso brincam muitas vezes da maneira mais leviana com pensamentos, ou, melhor dito, brincam em pensamento. Infelizmente muitas vezes uma brincadeira muito perigosa, na leviana suposição de que disso poderão sair indenes.
Todavia, enganam-se nisso; pois também os pensamentos pertencem à matéria grosseira e em todos os casos também nela devem ser remidos, antes que um espírito se torne apto a se lançar livremente para o alto, tão logo tenha desfeito a ligação com o corpo terreno.
Por isso, procurai, já com os vossos pensamentos, vibrar constantemente no sentido de minha Mensagem, de tal modo a só quererdes o que é nobre, não descendo a baixadas, porque imaginais que ninguém pode vê-lo ou ouvi-lo.
Pensamentos, palavras e o ato exterior pertencem todos eles ao reino da matéria grosseira desta Criação!
Os pensamentos agem na matéria grosseira fina, as palavras na média e os atos exteriores se formam na mais grosseira, isto é, na matéria grosseira mais densa. Grosso-materiais são essas três espécies de vossa atuação!
Mas as formas de todas as três estão estreitamente ligadas umas às outras, seus efeitos se entrelaçam. O que isso significa para vós, quão incisivo isso muitas vezes se efetiva de modo determinante no decorrer de vossa existência, não podeis avaliar no primeiro momento.
Não significa outra coisa, senão que também um pensamento, automático em sua espécie, pode, continuando a agir, fortalecer uma contextura de igual espécie na matéria grosseira média e assim dar ensejo a formas mais vigorosas, bem como, daí concluindo, continuando novamente a agir nesse fortalecimento, surgir em forma atuante visível na matéria mais grosseira, sem que pareça que vós próprios co-participeis diretamente nisso.
É abalador saber disso, tão logo se conhece a leviandade e a displicência no pensar desses seres humanos terrenos.
Assim vós, sem saber, sois co-participantes de muitas ações, que qualquer um dos vossos semelhantes realiza, somente porque este recebeu o fortalecimento pela forma que acabei de esclarecer, que foi capaz de estimulá-lo à execução mais grosseira de algo até então latente nele, com o qual antes sempre brincava apenas em pensamento.
Assim, muitos seres humanos tantas vezes encontram-se, reprovando, diante de uma ação qualquer dum semelhante seu, rechaçando-a e condenando-a com ira, pela qual, no entanto, perante as leis eternas de Deus eles são co-responsáveis! Nisso, pode tratar-se de uma pessoa que lhes é completamente desconhecida e de uma ação que eles próprios jamais teriam levado a efeito na matéria mais grosseira.
Imaginai uma vez tais processos, então compreendereis de maneira certa, o que vos conclamei na minha Mensagem: Conservai puro o foco dos vossos pensamentos, com isso estabeleceis a paz e sois felizes!
Porém, quando então vos tiverdes fortalecido bastante na vossa própria purificação, então crimes de toda a espécie acontecerão menos na Terra do que até agora, nos quais muitos foram cúmplices, sem o saberem.
A data e o local de tais atos, nos quais podeis vos tornar cúmplices, não desempenham papel algum. Mesmo que isso tenha ocorrido no extremo oposto da Terra em relação ao lugar onde vós vos encontrais, em lugares onde nunca pusestes os pés, de cuja existência nem tendes conhecimento. Reforços devido a vossas brincadeiras em pensamento ocorrem , onde descobrem espécies iguais, independentemente de distâncias, país e nação.
Dessa forma, pensamentos de ódio e de inveja podem, com o decorrer do tempo, arremessar-se sobre pessoas isoladas, grupos ou povos inteiros, nos quais encontram espécie igual, forçando-os a ações, as quais, nas formas em que se desencadeiam, são totalmente diversas daquelas que primeiramente surgiram com vossas brincadeiras em pensamento.
Nos efeitos isso pode se mostrar então da maneira como o executante intui no momento do ato. Deste modo podeis ter contribuído para a execução de ações, em cujo horror vós próprios jamais tendes pensado na realidade, e mesmo assim estais ligados a elas e uma parte do efeito retroativo tem de sobrecarregar vosso espírito, tem de pender nele como peso, quando se desligar do corpo.
Mas,ao contrário, vós também podeis contribuir mais fortemente ainda para a paz e a felicidade da humanidade, podeis, mediante pensamentos puros e alegres, co-participar de obras, que se desenvolvem através de pessoas totalmente estranhas a vós.
Disso, a bênção reflui logicamente também sobre vós e não sabeis por que ela chega até vós.
Se pudésseis ver, uma só vez que fosse, como a inflexível justiça da sacrossanta vontade de Deus sempre se cumpre nas leis naturais dessa Criação para cada pensamento individual que nutris, empenhar-vos-íeis com todas as vossas forças, para conseguir pureza em vosso pensar!
Apenas com isso vos tereis tornado aqueles seres humanos que o Criador magnanimamente deseja conduzir em Sua obra para aquele saber, que lhes concede a eternidade e os transforma em auxiliares na Criação, os quais são dignos de receber as altas graças que são destinadas ao espírito humano, a fim de, em retransmissão alegre e agradecida, proporcioná-las, transformadas, àquelas criaturas que, somente nessa transformação através dos seres humanos, são capazes de assimilá-las, e que, de maneira criminosa, ficam hoje separadas das mesmas devido à decadência do espírito humano, depois que, já em tempos de vibração melhor e mais pura da humanidade, puderam formar-se.
Com isso, porém, tereis então incandescido até a vivificação em vós na Terra somente uma sentença da minha Mensagem!
É para vós a mais difícil, que depois deixará mais fácil tudo o mais, cujo cumprimento deverá fazer surgir milagre sobre milagre, terrenamente visível, palpável diante de vós. —
Quando houverdes vencido a vós próprios a este respeito, então haverá no caminho por sua vez um perigo, que resulta da torção do pensamento humano: reconhecereis nisso um poder, que de muito bom grado desejareis comprimir em bem determinadas formas, para que sirva a este ou àquele fim especial, que se compõe de desejos egoísticos!
Disso eu já hoje quero advertir-vos, pois o perigo pode tragar-vos, nele teríeis de sucumbir, depois de já terdes tomado o caminho certo.
Acautelai-vos de querer obter à força, lutando, essa pureza dos pensamentos; pois desse modo já a comprimiríeis em determinadas direções e vosso esforço torna-se ilusão, ficaria forçado somente artificialmente e jamais poderia ter o grande efeito, que deverá ter. Vosso esforço traria dano em vez de proveito, porque nisso falta a autenticidade da livre intuição. Isso mais uma vez seria um efeito da vontade do vosso intelecto, nunca, porém, o trabalho do vosso espírito! Disso vos advirto.
Pensai na minha Palavra da Mensagem, que vos diz que toda a verdadeira grandeza só pode residir na simplicidade, visto que a verdadeira grandeza é simples! A simplicidade, a que me refiro aqui, vós certamente podereis compreender melhor se colocardes no lugar, como termo de transição, o conceito humano-terreno de singeleza. Isso talvez esteja mais perto da vossa capacidade de compreensão e encontrareis o certo.
Não com vontade mental podereis dar aos vossos pensamentos aquela pureza, a que me refiro, mas sim singela e ilimitadamente deve a vontade pura brotar em vós, oriunda de vossa intuição, não comprimida numa palavra, a qual apenas limitadamente pode deixar surgir um conceito. Isso não deve acontecer, mas sim um impulso ilimitado para o bem, que seja capaz de envolver o surgimento de vossos pensamentos, penetra-os, antes mesmo de tomarem forma, é o certo, do que vós necessitais.
Não é difícil, até mais fácil do que as outras tentativas, tão logo deixais a singeleza dominar, na qual a presunção intelectiva do próprio saber e da própria força não são capazes de surgir. Esvaziai-vos de pensamentos e deixai livre em vós o impulso para coisas nobres, boas, então tereis aquela base para o pensar, que provém da vontade de vosso espírito e, o que surgir daí, podeis entregar então com toda a calma ao trabalho do intelecto para execução na matéria grosseira mais densa. Nunca algo de errado pode se formar.
Atirai todas as aflições oriundas de pensamentos para longe de vós, confiai em vez disso em vosso espírito, que já abrirá corretamente o caminho para si, caso vós próprios não o amuralhardes. Tornai-vos livres em espírito não quer dizer outra coisa, senão deixai ao espírito em vós o seu caminho! Ele então nem poderá fazer outra coisa a não ser seguir para as alturas; pois a sua própria espécie o atrairá com segurança para cima. Até agora vós o detivestes, de modo que ele não mais pôde desabrochar, pois, com isso, havíeis paralisado seu vibrar ou suas asas.
A base para a formação duma nova humanidade, que não podeis nem deveis contornar, reside nesta uma frase: Conservai puro o foco dos vossos pensamentos!
E com isso o ser humano tem de começar! Esta é a sua primeira tarefa, que o torna naquilo, em que ele tem de se tornar. Um exemplo para todos os que se esforçam para a Luz e a Verdade, que querem servir agradecidos ao Criador, através da maneira de todo o ser. Quem cumpre isso não mais precisa de quaisquer outras instruções. Ele é, como deve ser, e desse modo receberá integralmente os auxílios que o aguardam na Criação e o conduzem para o alto sem interrupção.

* * *


Dissertação publicada na revista Die Stimme (A Voz); Caderno 8; 1937.

quarta-feira, 2 de março de 2016

Preso à Terra

  Preso à Terra

Tal expressão vem sendo muito usada. Mas quem é que compreende realmente o que com isso profere? “Preso à Terra” soa como um castigo horrendo. A maioria dos seres humanos sente um certo pavor, atemoriza-se diante daqueles que ainda se acham presos à Terra. Todavia, o sentido desse termo não é tão ruim. Certamente existe muita coisa sombria que deixa esta ou aquela pessoa tornar-se presa à Terra. Predominantemente, porém, são coisas bem simples que têm de levar ao aprisionamento à Terra.
Tomemos por exemplo um caso: os pecados dos pais vingam-se até a terceira e quarta geração!
Uma criança faz em família uma pergunta qualquer sobre o Além ou sobre Deus, o que ouviu na escola ou na igreja. O pai corta logo isso com a observação: “Ora, larga dessa tolice! Quando eu morrer, tudo estará acabado.” A criança fica surpresa e tomada de dúvidas. As manifestações desdenhosas do pai ou da mãe se repetem, a criança também ouve o mesmo por parte de outros e acaba aceitando essa opinião.
Chega, no entanto, a hora do trespasse do pai. Ele reconhece com isso, para seu horror, que não deixou de existir. Despertará nele então o desejo ardente de comunicar esse reconhecimento ao seu filho. Esse desejo liga-o à criança. O filho, porém, não o ouve e não sente a sua presença; porque vive agora na convicção de que o pai não existe mais, e isso se interpõe como uma firme e intransponível parede entre ele e os esforços do seu pai. E o tormento do pai por ter de observar que o filho segue caminho errado por sua iniciativa, o qual o leva cada vez mais longe da verdade, o medo de que o filho, nesse caminho errado, não possa escapar dos perigos de afundar ainda mais e, sobretudo, esteja muito mais facilmente exposto, atua agora simultaneamente nele, como um assim chamado castigo para ele, pelo fato de haver conduzido o filho para esse caminho. Raramente ele consegue transmitir a este o reconhecimento de alguma forma. Ele tem de ver como a idéia errada do filho se retransmite aos filhos deste, e assim por diante, tudo como conseqüência de seu próprio erro. E não se libertará, enquanto um de seus descendentes não reconhecer e seguir o caminho certo, e também exercer influência sobre os outros, com o que pouco a pouco será libertado e poderá pensar na sua própria escalada.
Um outro caso: um fumante inveterado leva consigo para o outro lado o impulso forte de fumar; pois é intuição, portanto, espiritual. Esse impulso torna-se um ardente desejo, e o pensamento para a satisfação do impulso prende-o lá, onde possa alcançar essa satisfação... na Terra. Encontra-a, seguindo no encalço de fumantes e também desfrutando com eles através da intuição destes. Se nenhum carma pesado prender esses tais a outro lugar, sentem-se mais ou menos bem, eles raramente ficam conscientes de um real castigo. Somente aquele que abrange a existência toda reconhece o castigo na inevitável reciprocidade, que faz com que o mesmo não possa subir enquanto o desejo para a satisfação, vibrando constantemente na “vivência”, mantê-lo atado a outros seres humanos que ainda vivem em carne e sangue na Terra, através de cuja intuição, unicamente, pode alcançar satisfação conjunta.
Assim também acontece com a satisfação sexual, com bebidas, sim, até com a predileção especial por comidas. Igualmente neste caso, muitos estão presos por causa dessa predileção, devendo vasculhar por adegas e cozinhas, a fim de co-participar através de outrem do saborear das comidas e pelo menos poder sentir uma pequena parte do prazer. Considerando bem, isso constitui logicamente um “castigo”. Mas o desejo premente dos “que se acham presos à Terra” não os deixa intuir isso, pelo contrário, domina tudo o mais e por isso o anseio pelas coisas mais elevadas, mais nobres, não pode tornar-se tão forte, que chegue a ser uma vivência dominante, que os liberte desse modo dos outros desejos e eleve-os. O que realmente perdem com isso, eles nem o percebem, até que esse desejo de satisfação, que aliás apenas pode constituir uma pequena parte da satisfação através de outrem, acaba afrouxando e enfraquecendo como um lento desacostumar-se, dando margem, assim, a que outras intuições neles latentes, e com menor força de desejo, gradativamente avancem até o mesmo lugar e depois até o primeiro lugar, com o que chegam, de imediato, ao vivenciar e com isso à força da realidade. A espécie das intuições avivadas o conduz então para lá onde se acha a igual espécie, quer de nível mais alto ou mais baixo, até que também esta, como a anterior, pouco a pouco seja resgatada pelo desacostumar-se e venha a se evidenciar outra, que ainda existe. Assim, com o tempo, realiza-se a purificação das numerosas escórias que ele levou para o Além. Acaso não permanecerá lá detido em algum lugar por uma última intuição? Ou empobrecido de força intuitiva? Não! Porque quando finalmente as intuições inferiores, pouco a pouco, morrerem ou forem abandonadas, seguindo em rumo ascendente, desperta a saudade contínua por coisas cada vez mais elevadas e puras, e esta impele permanentemente para cima. Assim é o andamento normal! Há, porém, milhares de incidentes. O perigo de queda ou de detenção é muito maior do que em carne e sangue na Terra. Se já te encontras em plano mais elevado e cedes ante alguma intuição inferior por um momento que seja, tal intuição tornar-se-á imediatamente um vivenciar e, com isso, realidade. Tornas-te mais denso e serás mais pesado, cairás para regiões de igual espécie. Teu horizonte se restringe com isso e terás de te esforçar nova e lentamente para cima, se não te acontecer que caias mais baixo, sempre mais baixo. “Velai e orai!”, portanto, não é uma expressão vazia. Agora a matéria fina existente em ti ainda se acha protegida por teu corpo, sustentada como que por uma firme âncora. Quando sobrevier o desenlace, na assim chamada morte e decomposição do corpo, estarás então sem essa proteção e, por ser de matéria fina, serás irresistivelmente atraído pela igual espécie, seja elevada ou baixa, não poderás fugir. Somente uma grande força propulsora poderá ajudar-te a subir, tua firme vontade para as coisas elevadas, boas, que se torna saudade e intuição e, com isso, também vivenciar e realidade, segundo a lei do mundo de matéria fina, que só conhece intuição. Por isso, trata de preparar-te, para desde já iniciares com essa vontade, para que na ocasião da transição, que pode atingir-te a qualquer hora, essa vontade não possa ser subjugada por desejos terrenais demasiado fortes! Acautela-te, criatura humana, e vigia!
Mensagem do Graal de Abdrushin
Livro: Na Luz da Verdade v. I

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

A meditação é capaz de moldar o cérebro.

 

A meditação é capaz de moldar o cérebro

Estudo mostra que até mesmo um iniciante em meditação pode mudar sua estrutura cerebral em poucas semanas e regular suas emoções
Que a meditação faz bem para a saúde, a concentração, a memória e o estado emocional, pouca gente duvida: diversos estudos ao redor do mundo comprovaram isso. Até recentemente, porém, as pesquisas no setor deixavam algumas dúvidas incômodas. Feitos com voluntários experientes, alguns com milhares de horas de prática, os testes não deixavam claro quando os benefícios começam a aparecer, nem mesmo se os meditadores têm uma predisposição física e mental capaz de favorecer tais mudanças. Um novo estudo norteamericano responde a essas perguntas e sugere que qualquer pessoa pode, num prazo relativamente curto, conquistar os efeitos positivos da meditação.
Publicado em janeiro na revista Psychiatry Research: Neuroimaging, o trabalho analisou 16 pessoas, com idade entre 25 e 55 anos, que participavam do Mindfulness-Based Stress Reduction (MBSR), o programa de treinamento desenvolvido há mais de 30 anos por Jon Kabat-Zinn, professor de medicina e diretor fundador da Clínica de Redução do Estresse e do Centro de Atenção Plena em Medicina da Universidade de Massachusetts. Em oito encontros semanais, os participantes do programa aprendem exercícios de meditação destinados a desenvolver as habilidades da atenção plena – a consciência ampla e tolerante dos pensamentos, dos sentimentos, das sensações corporais e do ambiente ao redor. Cabe a eles praticar esses exercícios no intervalo entre os encontros. Ao longo dos anos, o programa tem formado pessoas que alegam sentir menos estresse e mais emoções positivas. Quem tem dores crônicas afirma que elas são amenizadas após o curso.
A equipe do estudo examinou o cérebro de cada participante do MBSR duas semanas antes e logo depois do programa de oito semanas, comparandoo com os dos integrantes de um grupo de controle que não havia recebido o treinamento. Os que foram treinados – nenhum dos quais tinha experiência prévia na área – contaram que haviam dedicado pouco menos de meia hora por dia a essa meditação doméstica.
Nos exames realizados no fim do programa, o cérebro dos não treinados não apresentou alterações. Já no dos praticantes, a massa cinzenta mostrou-se bem mais espessa do que era antes, em várias regiões. Uma delas é o hipocampo, cujas atividades têm relação com a aprendizagem, a memória e a regulação das emoções. Estudos anteriores já haviam mostrado que muitas pacientes de depressão e transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) apresentam pouca massa cinzenta no hipocampo. Outras diferenças substanciais foram notadas no cerebelo (região relacionada à regulação das emoções), na junção têmporo-parietal e no córtex cingulado posterior do cérebro dos meditadores (áreas ligadas à empatia e à assunção da perspectiva de outra pessoa).
Para a principal autora da pesquisa, Britta Hölzel – pesquisadora do Massachusetts General Hospital e da Universidade de Geissen, na Alemanha -, essas alterações podem indicar que a meditação aprimora a capacidade de regular as emoções, controlar os níveis de estresse e sentir empatia por outras pessoas. “Acho que o que é realmente positivo e promissor sobre esse estudo é que ele sugere que nosso bem-estar está em nossas mãos”, afirma ela. Britta também comentou a evidência, reforçada por seu trabalho, da “plasticidade” do cérebro, pela qual ele pode mudar de forma com o tempo: “O que eu considero fascinante é que apenas prestar atenção de um modo diferente e estar mais consciente podem ter um impacto capaz de mudar a estrutura da nossa mente.”
É sempre bom salientar que a meditação não é o único recurso capaz de alterar o cérebro. Uma semana antes da divulgação do estudo de Britta, uma pesquisa publicada na revista The Proceedings of National Academy of Sciences mostrou que o hipocampo de pessoas com 60 anos aumentou em volume depois de andarem três vezes por semana, durante um ano, em uma pista comum. Em pessoas que, no mesmo período, fizeram menos exercícios aeróbicos, o volume do hipocampo chegou a diminuir.
Equipe Planeta

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

A cremação dos mortos!


A CREMAÇÃO DOS MORTOS.

Texto extraído do livro: O Livro do Juízo Final de Roselis von Sass.

Hoje, há um grande número de pessoas na Terra, principalmente nas super-povoadas metrópoles, que recomendam a cremação dos mortos. Outras por sua vez, têm receio de tal espécie de funeral, por motivos que elas mesmas desconhecem. O receio disso é mais do que justificado.
Nas cremações realizadas geralmente vinte e quatro horas depois da morte terrena, talvez também um pouco mais cedo ou mais tarde, as almas sentem ardentes dores em seus corpos de matéria fina, pois os delicados fios de ligação ainda existentes entre o corpo e a alma constituem bons condutores.
Nos sepultamentos ou outros tipos de funerais, onde os corpos permanecem intactos, almas que esperam ao lado dos corpos, nada sentem além de algumas dores nas juntas. Pois quando o processo de decomposição, propriamente dito se inicia os fios de ligação já estão tão quebradiços que além dessas dores nas juntas, quase nada sentem.
De modo diferente ocorre, naturalmente, com aquelas criaturas que se ataram tão fortemente à matéria, que têm de sofrer todo o processo de decomposição. Então os fios de ligação se acham tão firmes, que, até a total desintegração dos corpos terrenos, ainda constituem bons condutores.
Os seres humanos que estavam ligados à Luz, nos tempos de outrora, sabiam que as almas, durante vinte e quatro horas depois da morte de seus corpos terrenos, ainda sentiam tudo o que lhes atingia. Por esse motivo foi introduzido o “VELÓRIO”.
Os que velavam geralmente sacerdotes deviam proteger os corpos mortos de todo e quaisquer perturbações, para que não fosse causado nenhum sofrimento às “almas”.
A fim de que não surja nenhum mal-entendido, mencionaremos mais uma vez que apenas espíritos “ligados à Luz” separam-se completamente de seus corpos terrenos nas vinte e quatro horas após sua morte. Para todos os outros, conforme já foi dito anteriormente, o tempo de desligamento tornou-se muito mais longo.
Enquanto as almas humanas estão ligadas aos seus corpos terrenos por meio de delicados fios, ainda podem, embora parcialmente, reconhecer o que se passa ao seu redor na matéria grosseira, contudo, jamais poderão emitir mensagens aos sobreviventes ou manifestar-se de qualquer outra forma.
A morte terrena é o nascimento da alma no mundo de matéria fina. A alma recém-nascida, durante os primeiros tempos depois da morte terrena, é identicamente desajeitada, como uma criança recém-nascida na Terra.
Manifestações junto ao leito de morte de um falecido, nunca provêm do próprio falecido.
Geralmente, aí se trata de almas presas à Terra que se utilizam dos fios de transmissão, ainda existentes do falecido, para então manifestar-se. E poderão aproximar-se somente quando existe alguma ligação com o falecido.
“A falta de interesse da humanidade em conhecer seriamente, observar e cumprir as leis de Deus leva a grande maioria das criaturas humanas, a ir de encontro a sofrimentos desnecessários”!