quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

O jovem e o sábio - Conto Zen

"Numa pequena aldeia ao sul do Japão, vivia um velho sábio, que todas as manhãs caminhava até a beira de um pequeno riacho, e contemplava os pequeninos peixes que ali nadavam, lhes alimentava com punhados de arroz, e por vezes conversava com eles... ficava ali por horas, e depois se sentava embaixo de uma pequena árvore, e meditava o resto do dia...

Todos os dias, o velho sábio cuidava dos peixes, e já conhecia as aves que viviam por ali, as flores do campo que se abriam, e celebrava a vida com enorme beleza e simplicidade.

Um dia, ele viu escondido atrás de uma pedra, um jovem chorando... ele se aproximou, e muito delicadamente se sentou próximo do rapaz e esperou que ele se acalmasse...
O rapaz, muito triste, soluçava, e por horas ficou ali mergulhado em sua dor...

O sábio então, foi até o rio, e trouxe um pouco de água pura para ele beber.
O jovem agradeceu, e ainda com os olhos cheios de dor e lágrimas, bebeu a água, e se acalmou.

O sábio se sentou embaixo da árvore como fazia todos os dias, e o rapaz vendo o sábio ali imóvel em meditação se aproximou e lhe perguntou:

Quem é você?-  perguntou ele?
-Sou a vida, respondeu o sábio.

Qual o seu nome?
- Nenhum nome e todos os nomes, disse o sábio.

Como posso lhe chamar então?
-Como quiser...

O que é isso que está fazendo aí embaixo dessa árvore? Dormindo?
- Estou acordando...

Estou triste, disse o rapaz...
-Sim, vi que está experimentando a tristeza.

Meu irmão morreu hoje. Gostava muito dele, agora estou sozinho...
- A morte nunca existiu. Só a vida existe... disse o sábio sem se mexer. Ninguém nunca está sozinho. A solidão não é real.

Como pode, vi meu irmão morto.. todos choraram por ele ter morrido.. disse confuso o rapaz.

Viram um corpo morto, mas aquele corpo não era seu irmão, aquele corpo era uma aparência que a vida experimentava por um tempo... aquilo que seu irmão é de verdade, você também é, eu e tudo o mais também é...
Só a Vida é real. E a Vida é eterna...

O jovem olhava o sábio sem compreender, mas algo em seu coração se acalmou, e ele sentiu uma imensa vontade de permanecer ali aos pés daquele homem.. e também experimentar aquela serenidade, aquela paz, que o sábio sentia...

Quer dizer que o corpo do meu irmão morreu, mas meu irmão não morreu?
Sim. Porque também nunca nasceu.
O corpo tem um tempo útil, surge no oceano da Consciência e se dissolve ... mas seu irmão nunca foi o corpo, seu irmão estava vivendo na aparência daquele corpo, seu irmão é a Vida, assim como você...
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Você vê este riacho? Você vê esta árvore, estas nuvens no céu, estes peixinhos, aqueles pássaros voando ao longe? Vida, vida acontecendo, vivendo, vida, vida, vida...

Tudo o que existe é a Vida. As formas que ela cria, são infinitas, duram um tempo e se desfazem, mas a Vida, jamais nasceu, jamais morre... só a Vida permanece... e 'você' é Ela....

Conta-se que o jovem a partir daquele dia se tornou discípulo do velho sábio, e ele mesmo se tornou um grande sábio, e peregrinou levando luz e sabedoria, por várias regiões do Japão.."
Conto Zen (autor desconhecido)
 http://ventosdepaz.blogspot.com.br

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

A Felicidade

                                          A Felicidade - J.Krishnamurti

 


"A Felicidade não vêm quando estais lutando para alcançá-la. Eis o grande segredo — embora isso seja muito fácil de dizer. Eu posso dizê-lo em poucas e simples palavras; mas, pelo simples fato de me escutardes e de repetirdes o que ouvis, não ides ser felizes. Coisa estranha, a felicidade: ela só vem quando a não buscais. 

Quando nenhum esforço estais fazendo para serdes feliz, então, inesperadamente, misteriosamente, surge a felicidade, nascida da pureza, da beleza do viver pleno. Mas isso exige muita compreensão, e não que ingresseis em alguma organização ou procureis tornar-vos alguém. 

A Verdade não é coisa conquistável. Surge quando vossa mente e vosso coração foram depurados de todo impulso de luta, e já não estais tentando tornar-vos alguém; ela está presente quando a mente está muito quieta, escutando, num plano atemporal, tudo o que se passa. Podeis escutar estas palavras, mas, para haver felicidade, deveis descobrir como libertar a mente de todo temor.

Enquanto tiverdes medo de alguém ou de alguma coisa, não pode haver felicidade. Não haverá felicidade enquanto temerdes vossos pais, vossos mestres, enquanto receardes não passar nos exames, não progredir, não poder aproximar-vos do Mestre, da Verdade, não merecer louvores, lisonjas. Mas se, realmente, nada temerdes, vereis então — ao despertardes uma bela manhã ou ao dardes um passeio a sós — acontecer de repente algo extraordinário: sem ser chamado, nem solicitado, nem procurado, aquilo a que se pode chamar Amor, Verdade, Felicidade, se manifesta subitamente.

Eis por que tanto importa que sejais educados corretamente enquanto estais jovens. O que atualmente chamamos educação não é de modo nenhum educação, porque ninguém vós fala dessas coisas. Vossos mestres preparam-vos para passardes nos exames, mas não vos falam sobre o viver. Os mais de nós conseguimos apenas subsistir, arrastar-nos de alguma maneira pela vida e, por isso, a vida se torna uma coisa terrível. O viver realmente exige abundância de amor, de sensibilidade ao silêncio, grande simplicidade a par de abundante experiência. Requer uma mente capaz de pensar com toda a clareza, não tolhida pelo preconceito ou a superstição, pela esperança ou o medo. Tudo isso é a vida, e se não estais sendo educados para viver, vossa educação é completamente sem significação. Podeis aprender a ser muito asseados, a ter boas maneiras, e podeis passar em todos os vossos exames; mas, dar importância primária a essas coisas, enquanto toda a estrutura da sociedade está a esboroar-se, é o mesmo que estar a limpar e a polir as unhas, com a casa a arder. Vede, ninguém vos fala sobre nada disto, ninguém examina nada, junto convosco. 
Assim como passais dias sucessivos estudando certas matérias — Matemática, História, Geografia — deveríeis, também, passar uma boa parte de vosso tempo falando sobre estes assuntos profundos, pois isso dá riqueza à vida."
J.Krishnamurti em  A cultura e o problema humano
 
 http://ventosdepaz.blogspot.com.br/2016/08/a-felicidade-jkrishnamurti.html
 

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

O Monge e o macaco

                                                             O monge e o macaco

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

O SABOR DA DOR


                                       
                                          O SABOR DA DOR
O velho mestre pediu a um jovem triste que colocasse uma mão cheia de sal dentro de um copo com água e em seguida bebesse.
"Qual é o gosto?" - perguntou o Mestre.
"Ruim " - disse o rapaz.

O Mestre sorriu e pediu ao jovem que pegasse noutra mão cheia de sal e o acompanhasse. Os dois caminharam em silêncio até um lago, onde o velho pediu ao jovem que colocasse o sal na água do lago, dizendo-lhe logo depois:
"Bebe um pouco dessa água".

Enquanto a água escorria pelo queixo do jovem, o mestre perguntou:
"Qual é o gosto?"
"Bom!" - disse o rapaz
"Dá para sentir o gosto do sal?" - perguntou o mestre.
"Não" - disse o jovem.

Então o mestre sentou-se ao lado do jovem, pegou-lhe na mão e disse:

"A dor na vida de uma pessoa não muda. Mas o sabor da dor depende do lugar onde a colocamos. Então quando sentires tristeza ou dor a única coisa que deves fazer é deixar de ser copo e tornares-te lago...


 http://ventosdepaz.blogspot.com.br
 

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Conhecimento e Sabedoria - Conto Zen

Conhecimento e Sabedoria - Conto Zen

"Dois jovens monges se aproximaram do mestre que em silêncio apreciava o sol que se espreguiçava no vale se preparando para mais um dia.

O mestre ao vê-los apenas sorriu sem alterar sua posição.

O mais velho dos monges cumprimentou-o com gentileza e indagou:
- Mestre, estamos discutindo e não chegamos a nenhuma conclusão sobre a diferença entre conhecimento e sabedoria. Para ele não existe diferença, para mim sim, porém, não consigo expressar em palavras o que sinto e assim convencê-lo destas diferenças.

O mestre sorriu mais uma vez e olhando para o horizonte apontou para a montanha mais alta e disse:
- Para saber a diferença, coloquem um punhado de grãos de feijão em seus sapatos e subam até o alto daquela montanha, depois conversaremos.


Ambos saíram e seguiram as orientações do mestre, não sem antes passar em seus aposentos e se preparar para a subida.

No final da tarde retornaram e encontraram o mestre esperando-os pacientemente.

O mais jovem reclamando das dores que sentia uma vez que os grãos criaram bolhas deixando inchados seus pés.
O outro monge parecia nada sentir e seus pés estavam perfeitos sem nenhum problema.

E o mestre olhando para o mais jovem dos monges que havia se sentado para aliviar a dor disse:
- Percebeu a diferença entre conhecimento e sabedoria? Seu amigo colocou os mesmos grãos de feijão em seus sapatos, porém, tomou o cuidado de cozinhá-los antes."
Conto zen
 
 http://ventosdepaz.blogspot.com.br/2013/07/conhecimento-e-sabedoria-conto-zen.html

terça-feira, 28 de novembro de 2017

A VITÓRIA RÉGIA

                                                    A VITÓRIA RÉGIA


Uma das mais lindas plantas aquáticas do mundo, a Vitória Régia (Euryle Amazônica) tem a folha de formato circular e mede até 1,80m de diâmetro. Parecida a uma bandeja, é bastante resistente e pode aguentar um peso de até 45 quilos. De cor verde na parte virada para cima e interna, e purpúrea na sua borda externa e parte inferior, a Vitória Régia vive em lagos, lagoas e rios de águas tranquilas. Sua flor de cor branca com o centro rosado, alcança até 30 cm.
A Vitória Régia, com toda a sua beleza e exuberância chama a atenção de quantos a vêem, que ficam verdadeiramente extasiados. E tal aconteceu com o botânico inglês Lindlev que, ao contemplá-la, resolveu homenagear a rainha Vitória, da Inglaterra, e deu à planta o nome da soberana inglesa.
Mas, conforme relata Anísio Melo, nossos índios também não ficaram indiferentes à sua beleza e contam uma linda história para justificar-lhe a origem.
As lagoas e os lagos amazônicos são espelhos naturais da vaidosa Iaci, a lua. As cunhãs (índias) e as caboclas ao vê-la refletida sentiam toda a inspiração para o amor. Ficavam então no alto das colinas esperando pelo aparecimento da lua, e que com o contato de sua luz lhes chegasse o amor redentor e elas pudessem subir ao céu transformadas em estrelas

Um belo dia... uma linda cabocla, tomada pelo amor, resolveu que era chegado o momento de transformar-se em estrela. E com este intuito subiu à mais alta colina, esperando poder tocar a lua Iaci e assim concretizar o seu desejo. Mas... ao chegar ao cimo da colina viu a lua Iaci refletida na grande lagoa e pensou que estava a banhar-se... Na ânsia de tocar Iaci para realizar seu sonho de amor, a bela cabocla lançou-se às águas da lagoa... E ao que pensou tocá-la, afundou sumindo nas águas...
E a lua Iaci, condoída com o infortúnio de tão bela jovem e não podendo satisfazer seu desejo de levá-la para o céu em forma de estrela, transformou-a na bela estrela das águas, a linda planta aquática que é a Vitória Régia... cuja beleza e perfume são inconfundíveis.
Dizem que o local onde o fato aconteceu é o lago Espelho da Lua, situado no município de Faro, na região do baixo amazonas paraense...


Foto fonte http://flores.culturamix.com/flores/vitoria-regia


fonte do texto:  http://carlos-contoselendas.blogspot.com.br/
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segunda-feira, 27 de novembro de 2017

A FÁBULA DA ESTRELA VERDE





                       A FÁBULA DA ESTRELA VERDE

Havia milhares de estrelas no céu.

Estrelas de todas as cores: Brancas, Prateadas, Verdes, Douradas, Vermelhas e Azuis.

Um dia, elas procuraram Deus e lhe disseram: Senhor, gostaríamos de viver na Terra, entre os homens.

Assim será feito, respondeu Deus. Conservarei todas vocês pequeninas como são vistas e podem descer para a Terra.

Conta-se que naquela noite houve uma linda chuva de estrelas. Algumas se aninharam nas torres das igrejas, outras foram brincar de correr com os vaga-lumes nos campos, outras misturaram-se aos brinquedos das crianças e a Terra ficou maravilhosamente iluminada.

Porém, passando o tempo, as estrelas resolveram abandonar os homens e voltar ao céu, deixando a Terra escura e triste.

Porquê voltaram? Perguntou Deus, à medida que elas chegavam ao céu.

Senhor, não nos foi possível permanecer na Terra! Lá existe muita miséria e violência, muita maldade, muita injustiça... e Deus lhes disse: Claro! O lugar de vocês é aqui no céu! A Terra é o lugar de passagem, daquilo que passa, daquele que cai, daquele que erra, daquele que morre, onde nada é perfeito! O céu é o lugar da perfeição, do imutável, do eterno, onde nada perece e , sobretudo onde reside a Glória do Altíssimo!

Depois que chegaram todas as estrelas e conferindo o seu número, Deus falou de novo: Mas está faltando uma estrela! Perdeu-se no caminho?

Um anjo que estava perto retrucou: Não Senhor, uma estrela resolveu ficar entre os homens! Ela descobriu que seu lugar é exatamente onde existe a imperfeição, aonde as coisas não vão bem, onde há luta e dor!

Mas que estrela é essa? Voltou a perguntar Deus...

É a "Esperança",  Senhor! A "Estrela Verde"! A única dessa cor!

E quando olharam para a Terra, a estrela não estava só...

A Terra estava novamente iluminada, porque havia uma "Estrela Verde" no coração de cada pessoa.

Fonte: http://contoselendas.blogspot.com.br